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TEATRO

norma

10.05 a 30.06.02

DEPOIS DE TEMPORADA NO RIO, CHEGA A SÃO PAULO A PEÇA DE DORA CASTELLAR E TONIO CARVALHO, ESTRELADA POR ANA LUCIA TORRE E EDUARDO MOSCOVIS.


Renato e Norma são completamente diferentes. Acontecimentos trágicos a tornaram uma mulher ríspida e preconceituosa, ao contrário dele, que a partir de uma grande tragédia, passou a se abrir para o mundo. O encontro dos dois é o ponto de partida da peça Norma.


Norma nasceu de um engano. “Um dia, o Tonio discou um número e caiu errado, e a mulher que estava do outro lado da linha soltou os cachorros. Tonio então ficou pensando que tipo de vida levaria essa pessoa para ter esse humor”, conta Ana Lúcia.


O autor imaginou uma mulher em crise porque, em 50 anos de vida, jamais realizou um sonho, e tão rígida que foi batizada de Norma. O casamento, idealizado com um príncipe, faliu por ter sido feito com um homem real. O filho, para desespero da mãe preconceituosa, revelou-se gay. E quando, arrependida, tentou a reconciliação, o garoto morreu.

Norma, de 50 anos, é interpretada por Ana Lúcia Torre e Eduardo Moscovis vive Renato, de 30. Os autores fizeram um trocadilho com os nomes dos personagens: Norma censura as pessoas que, para ela, fogem dos padrões da “normalidade”. Renato representa o “renascimento” dessa mulher.


Completamente solitária, Norma está no apartamento que acabou de alugar, quando conhece Renato, um jovem bonito e atencioso, antigo inquilino do imóvel que aparece para pedir a ela que informe seu novo endereço e telefone aos que o procurarem.


Norma sente-se atraída por Renato, que prefere ser só amigo dela. Em princípio, associando a rejeição à diferença de idade entre os dois, ela descobre que o rapaz é homossexual – assim como um filho que perdeu – e foge completamente da imagem que tinha dos gays.


A peça fala de solidão, perdas, intransigência, incompreensão e dos preconceitos que muitas vezes conduzem e determinam a conduta das pessoas de forma dolorosa e desumana. Vivendo num pequeno universo Norma só conhece regras rígidas, comportamentos e atitudes estereotipadas, conceitos de almanaque e frases feitas. Até surgir Renato, alguém que será capaz de tirá-la do torpor, intimá-la a viver a urgência da vida e fazê-la encarar sua frágil ferocidade.

Segundo Ana Lúcia, ela e Moscovis tentavam não revelar em entrevistas a homossexualidade de Renato para não parecer que a peça é de temática gay e que eles estão levantando bandeiras. “Não queríamos que achassem que é para o público gay e hoje temos público homossexual e hetero, pois falamos de perdas, abandono, sonho, tolerância e reconciliação, de bons sentimentos” finaliza Ana Lúcia.