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TEATRO

A noite do Bar­queiro

05 a 29.03.09

Por meio da personagem do Barqueiro, que interrompe uma viagem que faria a um farol do outro lado das águas, o espetáculo, em linguagem metafórica, procura criar uma mitologia própria, através de um mergulho na psique do homem contemporâneo. Utilizando-se de arquétipos que representam o processo de evolução da consciência, o texto mostra a luta de um indivíduo para vencer sua animalidade e alcançar sua transcendência.

A peça estrutura-se em “estações” que traduzem o percurso do semi-deus ao herói, desde seu “chamado” até a “travessia”, abordando temas como idealismo, solidão e medo da morte.

A cenografia de Chris Aizner ressalta o aspecto simbolista da montagem, fazendo do palco o espaço da travessia do homem sobre a terra, com elementos pontuais que sustentam cada “estação”. O figurino, também de Chris, destaca o caráter guerreiro da personagem, numa síntese de várias culturas e épocas, ao mesmo tempo em que potencializa a imagem do anjo caído, presente em algumas tradições mitológicas.

A iluminação de Aline Santini configura a atmosfera onírica da encenação, acompanhando a trajetória da personagem, do sonho ao embate com a realidade. A sonoplastia minimalista de João Blumenschein conduz não apenas a transição entre as “estações”, como também a evolução do estado de espírito do Barqueiro ao longo da peça.

Helio Cicero, além de ter sido um dos principais atores do Grupo Macunaíma, de Antunes Filho, com quem fez “Paraíso Zona Norte”, “Nova Velha História”, “Trono de Sangue” e “Vereda da Salvação”, foi dirigido por importantes nomes de teatro como Ulisses Cruz, Eduardo Tolentino, Francisco Medeiros, Cibele Forjaz e outros. Recentemente, ele foi indicado ao Prêmio Shell de Melhor Diretor pelo espetáculo “A Escolha do Jogador”.

Por tratar-se de um solo, “A Noite do Barqueiro” possibilita um mergulho em seu processo de criação, envolvendo a pesquisa de uma linguagem poética, característica comum à dramaturgia de Samir Yazbek, seu parceiro na Companhia Teatral Arnesto nos Convidou e um dos autores mais relevantes da cena contemporânea, com dez textos encenados; alguns dos quais, publicados pela Coleção Aplauso, da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo.

Desde “O Fingidor” (Prêmio Shell 99 de Melhor Autor), um dos espetáculos de maior impacto da última década, inspirado na vida e obra de Fernando Pessoa, Samir Yazbek, que também teve formação com Antunes Filho, destacou-se com “A Terra Prometida”, baseado no episódio bíblico do Êxodo, e “A Entrevista”, com Lígia Cortez, indicada ao Prêmio Shell por essa peça. Em 2007, foi contemplado com o Programa Artista Residente, da UNICAMP, do qual resultou a comédia inédita “Os Gerentes”. Seus textos começam a ser traduzidos e montados em outros países como Argentina, Portugal, Espanha e França.

“A Noite do Barqueiro” também marca a parceria de Helio com Samir como diretor. Tudo começou, em 1999, com “O Fingidor”, que tem reestréia marcada para o próximo dia 4 de abril, no Tuca, em comemoração aos dez anos do espetáculo.

Além de “A Noite do Barqueiro” e “O Fingidor”, há outro projeto em andamento pela Companhia Teatral Arnesto nos Convidou: “Raízes”, inspirado na construção da estrada Transamazônica, com estréia prevista para o segundo semestre de 2009. A Companhia, formada por Eduardo Semerjian, Geondes Antonio, Helio Cicero, Maucir Campanholi, Samir Yazbek e Silvia Marcondes Machado, já produziu, além de “O Fingidor”, outros dois espetáculos: “O Invisível” e “Diálogo das Sombras”.

Ficha técnica

Interpretação: Helio Cicero

Texto e direção: Samir Yazbek

Cenário e figurino: Chris Aizner

Concepção e operação de luz: Aline Santini

Sonoplastia e operação de som: João Blumenschein

Fotografia: Arnaldo Torres

Programação visual: Diego Spino

Registro em vídeo: Daniel Lopes

Produção executiva: Geondes Antonio

Administração: Mecenato Moderno

Helio Cicero

Formado pela EAD-USP em 1980, Helio Cicero trabalhou com Antunes Filho nos espetáculos: “Paraíso Zona Norte”, de Nelson Rodrigues (Prêmio Mambembe – 1989 – melhor ator); “Nova Velha História” – baseada no conto Chapeuzinho Vermelho (Prêmio APETESP 1994 – melhor ator); “Trono de Sangue”, de William Shakespeare e “Vereda da Salvação”, de Jorge Andrade. Com Ulisses Cruz, em “Velhos Marinheiros”, de Jorge Amado (Prêmio INACEN 1985 – melhor ator); “Corpo de Baile”, de Guimarães Rosa; “Péricles, príncipe de Tiro”, “Rei Lear” e “Hamlet”, de William Shakespeare. Atuou nas peças teatrais “Toda Nudez Será Castigada”, de Nelson Rodrigues, direção de Cibele Forjaz; “O Fingidor” – ficção sobre os últimos dias de vida do poeta Fernando Pessoa, texto e direção de Samir Yazbek; “Hamlet”, de William Shakespeare, direção de Francisco Medeiros; “Executivos”, de Daniel Besse, direção de Eduardo Tolentino (Grupo TAPA); “Amor, Coragem e Compaixão”, de Mac Nelly, direção de Emílio Di Biasi; “O Invisível”, de Samir Yazbek, direção de Maucir Campanholi. Participou das novelas: “Rei do Gado” e “Começar de Novo” – Globo; “Imigrantes” e “Serras Azuis” – Bandeirantes; “Amor e Ódio”, “Canavial de Paixões” e “Cristal” – SBT. Fez a minissérie “JK” – Globo. Atuou nos longas-metragens: “Expresso para Anhaangaba”, roteiro e direção de Tony de Souza; “Tapete Vermelho”, direção de Carlos Alberto Pereira (Gal); “Boleiros Dois”, direção de Ugo Georgette; “Garibaldi In América”, direção de Alberto Rondali; “Doce de Coco”, direção de Penna Filho. Dirigiu os espetáculos: “A Escolha do Jogador”, de Patrick Marber; “Irakisu – O Menino da Amazônia”, de Wladimir Mafra; “Homem dos Avessos” – Adaptação de “Grande Sertão Veredas” com o bailarino e coreógrafo José Maria Carvalho; “Atos de Violência”, de Marici Salomão e Beatriz Gonçalves. É professor de Interpretação da PUC – TUCA/SP e INDAC. Recentemente consolidou, com Samir Yazbek e Maucir Campanholi, a Companhia Teatral Arnesto nos Convidou, com o espetáculo “Diálogo das Sombras”, que estreou em novembro de 2007 no SESC Paulista. Em 2008 foi ao ar pela TV Cultura, através do programa “Direções”, uma parceria com a Rede SESC TV, o teleteatro “O Fingidor”, em que foi protagonista. No mesmo ano, pelo mesmo projeto, atuou em “Réquiem”, dirigido por Maucir Campanholi, inspirado na obra “A Morte de Ivan Ilitch”, de Tolstoi.

Samir Yazbek

Dramaturgo e diretor teatral, Samir Yazbek começou a fazer teatro como autor, diretor e ator amador. Aos 21 anos, foi dirigido por Edson D´Santana, remanescente do Teatro de Arena, em um monólogo que escreveu e interpretou, “Uma Família à Procura de um Ator”. Mais tarde ingressou no Centro de Pesquisa Teatral do SESC, coordenado por Antunes Filho, com quem trabalhou, quase ininterruptamente, por oito anos em atividades ligadas à dramaturgia. Na seqüência, por dois anos, foi assistente de dramaturgia do professor Antonio Januzelli, doutor em improvisação no Curso de Artes Cênicas da USP. Também foi professor de interpretação e dramaturgia em escolas particulares de São Paulo, além de ter lecionado por sete anos consecutivos na FACOM (Faculdade de Comunicação) da FAAP, a matéria “Análise da Imagem III”, correspondente à teoria e prática teatral. Escreveu, entre outras: “O Fingidor” (Prêmio Shell/99 de melhor autor; selecionado para o Programa Nacional Biblioteca da Escola do Governo Federal, que em 2004 distribuiu a peça para 475 mil alunos da rede pública de ensino; representante brasileiro do XXV Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica do Porto e do I Encontro Luso-brasileiro de Cultura, Serpa, Portugal; representante brasileiro no XX Festival de Cádiz, por meio de leitura dramática; entre os cem melhores espetáculos de teatro e dança, em edição comemorativa dos primeiros oito anos da revista “Bravo!”); “A Terra Prometida” (entre os dez melhores espetáculos de 2002, segundo o jornal O Globo; texto publicado pela Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo em 2004); “O Regulamento”; “A Máscara do Imperador”; “A Entrevista” e “O Invisível”. É organizador de “Uma Cena Brasileira”, da Editora Hucitec, coletânea de depoimentos de alguns dos mais importantes atores e atrizes brasileiros, tais como Eva Wilma, Juca de Oliveira, Laura Cardoso, Maria Alice Vergueiro, Paulo Autran, Raul Cortez, Renato Borghi e Walderez de Barros. Também é autor de “O Teatro de Samir Yazbek”, lançado pela Coleção Aplauso, da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, com a edição de suas peças “O Fingidor”, “A Terra Prometida” e “A Entrevista”. Escreve artigos para os jornais Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo e Revista Bravo! Ministra oficinas de dramaturgia em instituições como Sesc e outras. Já participou dos principais festivais de teatro do país (Curitiba, São José do Rio Preto, Londrina, Brasília, Porto Alegre e Recife), como palestrante, oficineiro, lançando seus livros ou com seus espetáculos. Teve textos traduzidos para outras línguas, como “O Fingidor” (espanhol e francês), “A Terra Prometida” (espanhol) e “A Entrevista” (inglês, espanhol e francês). Em 2007, foi ao ar pela TV Cultura, numa parceria com a Rede SESC TV, pelo programa “Direções”, o teleteatro “Vestígios”, que escreveu e dirigiu. No mesmo ano, seu nome passou a figurar como verbete da Enciclopédia Itaú Cultural de Teatro, uma das mais prestigiadas da área. Recentemente consolidou, com os atores Helio Cicero e Eduardo Semerjian e o diretor Maucir Campanholi, a Companhia Teatral Arnesto nos Convidou, com o espetáculo “Diálogo das Sombras”, que estreou em novembro de 2007 no SESC Paulista. Em 2008, adaptou e dirigiu sua peça “O Fingidor” para o mesmo programa “Direções”, da TV Cultura.